sábado, 26 de janeiro de 2013

De sempre fazer

os braços não podem ficar presos ao corpo.
devem partir
ao enlaço

das tardes.

quando acontece dos pés

sem justificativa.

domingo, 20 de janeiro de 2013

Dia

podia
um dia
assim por dentro
o dia
desfazer a minha agonia
na hora do pôr do sol?

sábado, 12 de janeiro de 2013

afísico

É sentimento.

Não é fome.
          casamento.
          festa.
          aluguel.




Não há sólido que o resolva.

sábado, 5 de janeiro de 2013

sentir

sinto muito
pelo o que sinto. muito.
tanto que não esqueço.

sinto muito
de sentir
como se houvesse apenas
mares,
horizontes,
memória
dentro de mim.

sinto muito,
amor,
inexplicável.

sinto pouco pelos outros
porque não cabe tudo em mim.

sexta-feira, 4 de janeiro de 2013

Navios

Eu me encanto de navios cargueiros.

gosto das suas cores longe,
do seu peso,
da sua quase anônima gente
(tripulação que se sabe viva porque está no mar)

gosto da distância dos seus afazeres,
das crianças que, como eu, desejam-os.
da sensação que me fazem
(como os regentes e as baleias)
das linhas que criam o horizonte
divergindo Mar de Oceano
e sua luz, claridade, acesa, à noite.

segunda-feira, 24 de dezembro de 2012

O medo

O medo perdeu-se
da noite e do dia.

Ficou o vazio do medo:

espaço com cheiro falso de brisa,
à espera de todas as coisas.

TV

a tv
é duas sílabas
turvo.

Definido

tecer laços
é criar por rompê-los
com a morte
ou com as tendências
das vontades.

A casa

a casa é janela
é porta
é morada.
a casa é feita de gente
gente que constroi
gente que mora
pessoa que sonha com outra coisa
pessoa que sonha em outra casa.
a casa é exausta das humanidades
e a riem, a riem porque é acúmulo.

mal sabem que é passagem de quem sempre morre.

sexta-feira, 21 de dezembro de 2012

Meio

era como estar em uma escada

temendo

o topo e o baixo

em algum degrau 

contagiando os transeuntes 

só parados no chão,

sem a proporção do meio


Saudade


falamos de tardes,

de ditados,

de horas.

mas os distintivos não estancam o coração.

a vontade existe,

a imagem é aquele significado sem palavras.

a questão é que 

tardes,

ditados,

horas

não resolvem nada.


















domingo, 16 de dezembro de 2012

Tudo há de ter um fim

já
antes que logo.

depois
antes de acabar.

amor
já ao acabar da dança.
 
recordação
logo depois dos gestos.



sábado, 8 de dezembro de 2012

Mundo

segue uma letra
depois de uma letra
e se há o mundo. de qualquer lugar.
O mundo é uma caligrafia.

Destino Navegável

Meus olhos testemunhavam-no. Viam-no mais que inteiro: viam seus reflexos, seus mormaços.

Ele se sentou à minha frente, de olhos grandes e existentes.
Fingíamos que o mundo todo habitava aquela mesma tarde, aquele espaço entre nós: aquele todo era a sós.

- Distante?
- Ainda mais perto.
- Perto?
- Do destino.

O mundo aplaudia, só com o início da noite, como por toda a eternidade, os abalos que causam tal encostar de frente de joelhos e olhos. Abalos que não se desperdiçam.

- Assim?
- Não.
- Não é destino escrito, prescrito?
- Destino navegável.
- Navegável?
- Há sempre caminhos, de qualquer jeito, em mim, navegável.
- Sou barco?
- É pedaço que leva a mim no houver, quase até secar.

segunda-feira, 19 de novembro de 2012

O mar de Paraty

O mar não é água.

O mar é onda o tempo todo.

O cuspe é água.

A chuva é água.

O mar se enche na beira,

quase se fazendo ponta,

e calado cai onda.