Parecia uma tosca cena de cinema:
Quadros fechados,
Falas simultâneas,
sentimentos transcendentais.
domingo, 17 de outubro de 2010
O livro está aqui há semanas...
Ele, definitivamente, não me quer!
Os ímãs na geladeiras
conhecem mais a escuridão dessa casa
do que toda minha existência.
Se a minha casa fosse um aeroporto,
eu ainda estaria aqui.
Não sou livre,
mas ninguém me prende
além da minha própria vontade:
aproveito a libertinagem da escravidão.
Ele, definitivamente, não me quer!
Os ímãs na geladeiras
conhecem mais a escuridão dessa casa
do que toda minha existência.
Se a minha casa fosse um aeroporto,
eu ainda estaria aqui.
Não sou livre,
mas ninguém me prende
além da minha própria vontade:
aproveito a libertinagem da escravidão.
Há!
Me fiz de suspense,
me despistei
e desci as escadas
Me embati com as panelas
e garfos esparramados,
oh, sem fé na gaveta!
me despistei
e desci as escadas
Me embati com as panelas
e garfos esparramados,
oh, sem fé na gaveta!
[ ]
[Em meu pensamento, no singular e no tapete!]
A tarde é inexpressiva e finda
Para tudo o que existe e ainda não foi descoberto.
Hoje, enfim, parace haver perfeição e sentido
em coisas inexplicáveis.
Mas ainda falta a imperfeição das certeza.
Ah, as malditas certezas.
A tarde é inexpressiva e finda
Para tudo o que existe e ainda não foi descoberto.
Hoje, enfim, parace haver perfeição e sentido
em coisas inexplicáveis.
Mas ainda falta a imperfeição das certeza.
Ah, as malditas certezas.
Janta
O nosso carnaval era no ônibus.
E éramos insanos,
como eu sempre quis ser.
E lá, só lá, na muvuca de nós,
aos dias faltavam cronômetros. Era tudo uma vida completa:
da pasta de dente ao sono na esteira em noites de 30 graus.
E éramos insanos,
como eu sempre quis ser.
E lá, só lá, na muvuca de nós,
aos dias faltavam cronômetros. Era tudo uma vida completa:
da pasta de dente ao sono na esteira em noites de 30 graus.
Vivendo
domingo, 10 de outubro de 2010
É, um misto quente, por favor!
Ela estava em um corredor do supermercado, tentando parar de se imaginar em terceira pessoa. Reparou nas latas verdes e amarelas, no alto de uma das prateleiras, e lembrou da vontade, do prazer de ir ao supermercado com ele, só para decorar suas marcas e comidas favoritas. Essa foi sua primeira reação àquelas cores, mas tudo já estava misturado: ela queria aquela mesma sensação do outro com outro, em outro corpo. Da mesma forma, ela não soube explicar por que dois se tornavam um. Ela não sabia explicar a razão pela qual aqueles dentes largos e gengivas à mostra e aquela barba, feita no mesmo dia, se registraram densamente nela. Ela sabia que não havia feito nada certo: nem o corpo, nem a boca, nem a voz, nem a lembrança executou com perfeição. Não sabia, por sua vez, se ele havia dito as palavras certas, se a havia tocado do jeito certo, se a havia olhado da maneira correta: não sabia se havia jeitos. Mas soube que ele foi embora e ela ficou. Desde então, ela observa, do mesmo lugar, tudo o que nela ele descobriu: carne nua e olhos transparentes.
Ela sabe que sente saudade e será uma saudade que, segundo a prescrição da data de óbito, morrerá de desencanto e cansaço. Para se salvar, deseja se punir de embriaguez e ficar bêbada até se ver sozinha em um mundo inédito e dizer para ele, que apesar de tudo o que nunca acontece, ela gostaria que acontecesse entre eles. Ela queria ser dele, como o misto quente que ela pede agora.
Ela sabe que sente saudade e será uma saudade que, segundo a prescrição da data de óbito, morrerá de desencanto e cansaço. Para se salvar, deseja se punir de embriaguez e ficar bêbada até se ver sozinha em um mundo inédito e dizer para ele, que apesar de tudo o que nunca acontece, ela gostaria que acontecesse entre eles. Ela queria ser dele, como o misto quente que ela pede agora.
sábado, 9 de outubro de 2010
O casório dos laços infantis
O casório dos laços infantis
Se faz de mandioca e fé.
No meio de um lado
Havia gaivotas e, pasmem,
Pedrinhas no chão.
Não havia poetas
Nem a canção de Baden Powell
Havia a imensidão
De uma dor, calma e azul ou amarela.
Talvez se torne Pasárgada
E um retrato do inconteste.
Se faz de mandioca e fé.
No meio de um lado
Havia gaivotas e, pasmem,
Pedrinhas no chão.
Não havia poetas
Nem a canção de Baden Powell
Havia a imensidão
De uma dor, calma e azul ou amarela.
Talvez se torne Pasárgada
E um retrato do inconteste.
Meu outro outubro chegou!!
Todo dia de outubro acordo:
BOM DEVE SER MORRER DE UMA SÓ VEZ E NÃO POR PARTES!!
VIVA AO EXCESSO!
BOM DEVE SER MORRER DE UMA SÓ VEZ E NÃO POR PARTES!!
VIVA AO EXCESSO!
21:00
Não durou nem uma novela mal durou
um capítulo de novela, mas
se fosse um filme hollywoodiano, não faria sucesso,
se fosse um filme indiano, muito menos.
Já se fosse um filme cult faria sucesso, mas só pela minha atuação:
você nunca se promoveu a mais do que um coadjuvante em todas as cenas!
Nem de mentira você soube ser inteiro!
um capítulo de novela, mas
se fosse um filme hollywoodiano, não faria sucesso,
se fosse um filme indiano, muito menos.
Já se fosse um filme cult faria sucesso, mas só pela minha atuação:
você nunca se promoveu a mais do que um coadjuvante em todas as cenas!
Nem de mentira você soube ser inteiro!
quarta-feira, 29 de setembro de 2010
Pedra
Tenho o meu próprio pedaço do mundo,
do qual farei o meu feriado particular!
De onde rirei da ausência de liberdade das horas,
eternamente unidas ao tempo - que se desfaz dos outros e (é) menos de si mesmo.
No meu pedaço do mundo, o que é verdade se torna utopia: o inverso é o gosto e o delírio
e a chuva não só inunda como cria verbos, pontes e sinfonia!
Longe de lá, me deparei com alguém que sabia mais de mim de fora do que de dentro, nele havia mais de mim do que em mim mesma - tudo sem destino. Agora, emoldurado, ele não me vê. Ele é o meu dia da Maresia Imensa.
do qual farei o meu feriado particular!
De onde rirei da ausência de liberdade das horas,
eternamente unidas ao tempo - que se desfaz dos outros e (é) menos de si mesmo.
No meu pedaço do mundo, o que é verdade se torna utopia: o inverso é o gosto e o delírio
e a chuva não só inunda como cria verbos, pontes e sinfonia!
Longe de lá, me deparei com alguém que sabia mais de mim de fora do que de dentro, nele havia mais de mim do que em mim mesma - tudo sem destino. Agora, emoldurado, ele não me vê. Ele é o meu dia da Maresia Imensa.
terça-feira, 21 de setembro de 2010
Maranhão
Já me encontrei na vela, mas, hoje, sou mar:
Me feriu a estiagem e, então, contemplei a dor.
Depois, fui evaporação - dúvida fora de mim - e gestei maresia.
Agora estou descoberta na tua orla,
nas tuas costas,
na tua terra, que venta em mim: construímos um continente!
Me feriu a estiagem e, então, contemplei a dor.
Depois, fui evaporação - dúvida fora de mim - e gestei maresia.
Agora estou descoberta na tua orla,
nas tuas costas,
na tua terra, que venta em mim: construímos um continente!
domingo, 12 de setembro de 2010
Que vontade é essa? Que não é fome, sede ou calor? Que vontade é essa que vem de dentro de mim e fora do outro?
Vontade de levar os dias. Vontade de te descobrir
d
e
m
a
d
r
u
g
a
d
a.
Que vontade é essa que vale e amolece? Vontade de melodia. Vontade de história? Vontade de tarde? (vontade à tarde?). Vontade de ventania e orquestra à beira mar, à beira do meu mar, mar mediterrâneo. Onde tenho a minha terra. Eu comprei um.
Vontade de levar os dias. Vontade de te descobrir
d
e
m
a
d
r
u
g
a
d
a.
Que vontade é essa que vale e amolece? Vontade de melodia. Vontade de história? Vontade de tarde? (vontade à tarde?). Vontade de ventania e orquestra à beira mar, à beira do meu mar, mar mediterrâneo. Onde tenho a minha terra. Eu comprei um.
domingo, 5 de setembro de 2010
Inédito até para mim
Pensei que fossem mentiras: as coisas que dava como definitivas e as que dei como dolorosas. Porém, já cansei de concluir e sinto tédio em questionar, vou tratar é de ver, pois agora estou liberta. Liberta do que se sepultou em outrem, liberta do que não era meu e me prendia.
Minhas sílabas já retornam e, em breve, todo o meu universo de sensações - ainda que modificadas algumas órbitas - e verdade momentâneas se renovarão com o frescor da mudança e do meu tempo, da minha juventude - para que ela justifique os dias e as noites e furte, sim, um pouco da minha velhice e que o tempo a reserve para encaixar-se em minhas órbitas de calendários de uma vida repleta de plurais - de adjetivos, verbos e conjunções - e dos meus aconchegantes singulares, as palavras que realmente valem a pena. Que o agora valha toda uma existência, a breve existência.
Minhas sílabas já retornam e, em breve, todo o meu universo de sensações - ainda que modificadas algumas órbitas - e verdade momentâneas se renovarão com o frescor da mudança e do meu tempo, da minha juventude - para que ela justifique os dias e as noites e furte, sim, um pouco da minha velhice e que o tempo a reserve para encaixar-se em minhas órbitas de calendários de uma vida repleta de plurais - de adjetivos, verbos e conjunções - e dos meus aconchegantes singulares, as palavras que realmente valem a pena. Que o agora valha toda uma existência, a breve existência.
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